quarta-feira, 15 de abril de 2015

SHAKESPEARE, A MEGERA FOI DOMADA?


A literatura é uma forma de arte que traz  fatos históricos, que podem estar explícitos ou implícitos nas obras. Portanto, para analisar uma obra literária é necessário pesquisar o período em que a obra se passa e o comportamento social naquela época, para assim compreender os seus personagens e os acontecimentos do enredo. Nas obras de Shakespeare encontramos características do período Renascentista. Na peça A Megera Domada especificamente, Shakespeare expôs a submissão da mulher, fato que era muito comum na época. A obra pode ter duas interpretações diferentes. Shakespeare poderia simplesmente ter sido influenciado pelo período em que vivia e teria relatado os fatos de maneira cômica. Outra hipótese é que o autor escreveu a peça para ridicularizar o machismo e a submissão feminina.

A comédia de Shakespeare conta a história de Lucêncio, um rapaz que visita a cidade de Pádua com seu criado, Trânio, para buscar os conhecimentos que só a universidade poderia lhe dar. Mal chega na região e o destino o faz encontrar Batista, um nobre senhor, junto com suas duas filhas Bianca e Catarina. A primeira, delicada e rodeada por pretendentes, logo lhe chama atenção e o faz cair de amores. Porém, Lucêncio  descobre que, além de ela já ter mil homens aos seus pés, conquistar Bianca requer derrubar um baita obstáculo: sua irmã mais velha Catarina, uma mulher ranzinza e tempestuosa, motivo de dor de cabeça para o pai. Devido a personalidade "única" da filha, Batista decide que só quando Catarina estiver muito bem casada Bianca poderá namorar e enlaçar o seu próprio noivado. E é a partir desse cenário que Lucêncio - e todos os outros capachos de Bianca - procura um jeito de casar Catarina. O jeito? Um cara bruto, com boa vontade e muita, MUUUITA paciência: Petruchio, um grosseirão que anda precisando de dinheiro. Eu diria que essa história foi o início do quase sempre eficaz casal "Gato e Rato", "Morde e Assopra", "Tapas e Beijos", etc.

Shakespeare era um autor à frente de seu tempo e que procurava mostrar seus ideais em suas obras e com seus personagens marcantes. Em A Megera Domada, ele utilizou a voz de Catarina para expressar a sua oposição em relação à sociedade renascentista, inspirando-se no poder e autoridade da Rainha Elizabeth I. Porém, o autor não podia fazer peças que fossem totalmente contra a sociedade da época, pois as obras não teriam boa recepção. Desse modo, ele utilizou sua famosa ambiguidade e sua ironia criticando a sociedade renascentista sem ser banido. Catarina é considerada uma megera por ir contra todos os paradigmas da renascença, e mesmo se casando deixa claro nas entrelinhas que finge ser domada para domar.

AS MEGERAS

Muitas são as adaptações do original de Shakespeare, porém poucas conseguiram repercussão internacional como as três citadas a baixo. Cada uma a seu estilo e época, foram responsáveis por marcar a história do Cinema, da TV ou mesmo a carreira dos profissionais envolvidos.


Na versão de Zeffirelli "A MEGERA DOMADA", Catarina recebe uma representação grandiosa de Elizabeth Taylor, com direito a sutis toques de ironia no discurso final numa atuação irretocável junto ao marido Richard Burton, que até hoje é considerada uma das melhores de sua carreira. Vale muito a pena ver a película de 1967.


Ainda engatinhando em Hollywood, Julie Stiles estrelou o sucesso "10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOCÊ", uma versão jovem e repaginada na qual contracenou com o saudoso Heath Ledger. Transbordando anos 90, esse filme já virou um clássico adolescente e Julia como a anti-social "Cat" ainda hoje é lembrada com muito carinho.


"Jura, jura..." Quando esse samba começa a tocar imediatamente me vem à cabeça imagens de um casal brigando em preto e branco. Dirigida pela "mão de ferro" de Walter Avancini, Adriana Esteves deitou e rolou no texto delicioso de Walcyr Carrasco em "O CRAVO E A ROSA", deixando sua marca entre juras, arremesso de vasos (ou qualquer objeto quebrável) e rugidos felinos dentro da ótima química com Eduardo Moscovis.


#ShakespeareÉVida    #Abraçaço

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DICA DO TAND: FILMES SOBRE ESCRITORES

E aí, galera da web! Tudo bem? Espero que sim. Hoje eu vim aqui pra dar algumas dicas de filmes que falam sobre nós, nobres e mortais criaturas que adoramos dedilhar sobre um teclado de computador, não desperdiçamos lápis e folha de papel, e fazemos das palavras nosso maior remédio para tudo. Somos nós: Os Escritores.
Divirta-se!


O ILUMINADO
Esse é de arrepiar. Qualquer elogio é pouco pra essa obra prima de Stanley Kubrick, baseada no livro imortal do mestre Stephen King. Durante o inverno, um escritor (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo de pessoas no hotel.

RUBY SPARKS, A NAMORADA PERFEITA
Todos escritores têm musas. Sejam elas palpáveis ou criação de sua imaginação. Estejam elas em suas camas ou não. Imagina se ela se tornasse de carne e osso? O romancista Calvin (Paul Dano) sofre com perturbador bloqueio criativo que atrapalha o desenvolvimento de seu último livro. Com problemas também em sua vida pessoal, começa a criar uma personagem feminina poderia se apaixonar por ele. Daí nasce Ruby Sparks (Zoe Kazan), que inicialmente é uma personagem dentro de uma história, mas que pouco depois ganha vida e passa a conviver e se relacionar com Calvin pessoalmente.

ADAPTAÇÃO
Adoro esse. A direção é do Spike Jonze, mesmo diretor de Quero Ser John Malkovich. Charlie Kaufman (Nicolas Cage) precisa de qualquer maneira adaptar para o cinema o romance “The Orchid Thief”, de Susan Orlean (Meryl Streep). O livro conta a história de John Laroche (Chris Cooper), um fornecedor de plantas que clona orquídeas raras para vendê-las a colecionadores. Porém, além das dificuldades naturais da adaptação de um livro em roteiro de cinema, Charlie precisa lidar também com sua baixa autoestima, sua frustração sexual e ainda Donald, seu irmão gêmeo que vive como um parasita em sua vida e sonha em também se tornar um grande e famoso roteirista. É realmente ótimo um filme.

JANELA SECRETA
Johnny Depp antes da "overdose" Tim Burton. Morty Rainey (Depp) é um sujeito que se afundou na bebida, perdeu a mulher, não consegue escrever nada decente há algum tempo e leva uma vida bem mais ou menos, num isolamento que não pode ser saudável. Quando tudo parece ruim o bastante, um sujeito chamado John Shooter (John Turturro) aparece na porta da sua casa para acusa-lo de plagiar a sua história e desencadeia uma série de eventos estranhos. Também baseado numa obra de Stephen King.

SHAKESPEARE APAIXONADO
Divertido, ganhou inclusive o Oscar de Melhor Filme além de outros seis. O jovem astro do teatro londrino William Shakespeare (Joseph Fiennes) sofre de bloqueio criativo e não consegue escrever sua peça. Um dia, ele conhece Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow), uma jovem que sonha em atuar, algo proibitivo no final do século XVI. Para burlar o preconceito e ter sua chance, Viola se disfarça de homem e começa a ensaiar o texto de Will, que começou a fluir e passou a dar vazão ao amor entre os dois. O que eles não contavam era com o casamento arranjado pela família entre Viola e Lorde Wessex (Colin Firth).

AS HORAS
No mínimo interessante. Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

MISERY, LOUCA OBSESSÃO
Kathy Bates psicoticamente talentosa. O famoso escritor Paul Sheldon (James Caan) sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates), que afirma ser sua fã número um. Ela o leva para sua isolada casa e cuida de sua saúde, mas um dia acaba tendo acesso aos originais do próximo livro do escritor e descobre que sua personagem predileta será morta. Essa revelação faz com que sua personalidade doentia se revele e Sheldon se vê à mercê das loucuras da admiradora.

DUPLEX
Esse eu defini o abdômen de tanto rir. O Foco não é exclusivamente no escritor, porém retrata um terror que todos temos em comum: quando somos interrompidos por motivos insignificantes. Alex Rose (Ben Stiller) e Nancy Kendricks (Drew Barrymore) formam um jovem casal que tem um sonho de consumo: ter um belo duplex, na cidade de Nova York. Quando eles enfim encontram o apartamento dos seus sonhos, precisam enfrentar um problema: a antiga moradora, uma velhinha simpática, que os incomoda e se recusa a deixar o local. Para conseguir o apartamento e sossego, Alex e Nancy tomam uma decisão radical e decidem matá-la.

GAROTOS INCRÍVEIS
Simples e carismático. Grady Tripp (Michael Douglas) um professor universitário que escreve em suas horas vagas. Atormentado por um bloqueio de escritor, ele descobre que sua amante, Sara Gaskell (Frances McDormand), que casada, está grávida de um filho dele. Além disto, tem que lidar com uma de suas alunas, Hannah (Katie Holmes), que está apaixonada por ele e ajudar um de seus alunos, James (Tobey Maguire), a encontrar uma rara jaqueta que teria sido usada por Marilyn Monroe.

DESCONSTRUINDO HARRY
Woody Allen deve ter uma dúzia de personagens escritores, muitos vividos por ele mesmo. Harry Block (Woody Allen) é um escritor que usa suas experiências amorosas como inspiração para livros e contos, o que não agrada nem um pouco as pessoas ligadas a ele. Convidado para uma homenagem que será feita pela faculdade de onde foi expulso quando jovem, ele se vê sem companhia. Após acompanhar um amigo, Richard (Bob Balaban), em um exame médico, ele aceita viajar com ele como retribuição. Harry convida ainda Cookie (Hazelle Goodman), uma prostituta negra com quem tem um programa na noite anterior da viagem. Prestes a partir, Harry tem a ideia de sequestrar seu filho para que ele possa ver o pai sendo homenageado, mesmo com a mãe dele, Joan (Kirstie Alley), tendo proibido sua viagem.


JOVENS ADULTOS
Mavis Gary (Charlize Theron) saiu da cidadezinha onde morou durante parte da sua adolescência para viver em Minneapolis e ser escritora. E acabou conseguindo escrever uma série de livros baseados num programa de TV, que caiu no ostracismo porque essas coisas são assim mesmo: num dia estão no topo, no outro fica tudo encalhado nas prateleiras. E depois que isso acontece, Mavis não tem absolutamente mais nada na sua vida, já que todos os seus relacionamentos, até com o seu cachorro, são completamente impessoais. Mas mesmo assim ela continua se achando um sucesso. Um sucesso que ela não é mais desde o ensino médio. É tanta vergonha alheia que quero entrar no filme pra dizer "Ei, você já não é mais ninguém na fila do pão, ok?!".
ABRAÇÃO!

sábado, 31 de janeiro de 2015

!ESSE EU VI: INTO THE WOODS - CAMINHOS DA FLORESTA!



Olá, pessoas da terra! Sentiram a minha falta? Espero que sim, pois eu estava morrendo de saudades de escrever novamente aqui no blog. Sim, ele andou parado por algum tempo, mas agora ele retorna das cinzas e promete deixar seu 2015 um pouco mais interessante...Eu espero. Para começar, eu decidi ontem ir ao cinema conferir INTO THE WOODS (Caminhos da Floresta), o novo musical da Disney, pra poder escrever sobre ele aqui nesta linda plataforma cibernética chamada internet. Let's go?


A história é resumidamente a seguinte: os amaldiçoados Padeiro (no filme, James Corden) e Esposa do Padeiro (Emily Blunt) devem conseguir alguns itens para que a Bruxa (Meryl Streep, indicada ao Oscar pelo papel) faça uma poção e retire o feitiço, conjurado quando Padeiro ainda era um bebê, que impede a felicidade plena do casal pelo fato dela não poder engravidar. Os itens mágicos são bem conhecidos por todos aqueles que leram e conhecem bem os contos de fadas: A vaca branca como leite, o cabelo amarelo como milho, o sapatinho de ouro, a capa vermelha como sangue. Partindo dessa premissa, outros sub-plots se juntam a trama central, são eles: A Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Cinderela e João (o do pé de feijão kkk) e os coadjuvantes de suas respectivas histórias.

CURTI:

As histórias são super bem amarradas, com algumas pequenas reviravoltas que fazem toda a diferença pra quebrar a sensação de "está começando a ficar cansativo". As músicas são ótimas, tanto em letra como em melodia e todo o elenco foi muito competente em sua performance vocal. A pitada teatral é algo muito positivo, pois resgata características do espetáculo oitentista da Broadway original, e leva um atmosfera diferente para a tela juntamente com a fotografia e direção de arte, resultando num clima "Dark" maravilhoso. Tudo é muito familiar e a maneira como a trama se desenrola é muito interessante.
O elenco é o ponto mais forte do filme, reunindo nomes como Meryl Streep (“Álbum de Família”), que por sinal concorre a outro Oscar pelo papel de bruxa cantora, Anna Kendrick (“A Escolha Perfeita”), Emily Blunt (“No Limite do Amanhã”) e até Johnny Depp (“Transcendence”) e Tracey Ullman (“Trapaceiros”) em pequenas pontas. Boas interpretações também são entregues por James Corden (“Matadores de Vampiras Lésbicas”), Christine Baranski (“O Grinch”), e pelos jovens Lilia Crowford e Daniel Hutllestone (“Os Miseráveis”).

NÃO CURTI:

Introdução às histórias desnecessariamente longa, apresentando todos os personagens e suas sinopses antes de "começar" de fato. O primeiro ponto de virada poderia ter sido utilizado já como ponto de partida, ou seja, a cena em que o Padeiro e sua esposa são apresentados e recebem a visita reveladora da bruxa. 
Como trata-se de um musical, obviamente, quase (ou) todas as interpretações são cantadas, o que deixou muita gente nervosa na poltrona, outros foram mesmo embora antes de 1 hora de filme. Não recomendado para pessoas ranzinzas e/ou impacientes. Algumas soluções fáceis para os conflitos gerados causaram estranheza diante da previsibilidade, já que tais conflitos foram precedidos por ótimas e pequenas reviravoltas.

Por fim, longe de desapontar, INTO THE WOODS é um filme cheio de boas intenções, com interessantes reflexões sobre o tão sonhado "Final Feliz" e que tem, no conjunto da obra, o humor e a simpatia  como suas principais qualidades.