segunda-feira, 30 de novembro de 2020

IN DEXTRO TEMPORE

 





Marcos Tand

 

Quarta feira, 12 de julho de 1989, 16:45.

- Me liga qualquer hora. Quer dizer, só não à noite, que meus pais estão em casa.

Foi assim que começou. Com essa resposta positiva. Eles não sabiam o que ia acontecer.

Caio estava de bobeira ajudando seu amigo, Betinho, que trabalhava na Alfa Som, a loja de discos mais descolada do Rio de janeiro.

Falavam sobre como o mês das férias começou morno. Esperavam mais agito, mais curtição. Nenhuma festa, nenhuma paquera legal. A escola lhes oferecia mais agito. O telefone tocou.

- Alfa Som, boa tarde – atendeu Betinho, na esperança de que fosse o empresário do Kid Abelha. Seu padrinho e patrão, Teixeira, era produtor cultural e tentava há muito marcar o lançamento do novo LP da banda na loja – Ah tá! Sim, lembro. Puta que me pariu! Era hoje? Achei que fosse só amanhã! Tá bom, relaxa, que eu vou aí voando. Não fecha essa nota antes de eu chegar! Falou.

- Que foi cara? Qual é a parada? – Caio disse franzindo a testa.

- Bicho, segura as pontas aí que em meia hora eu tô de volta, pode ser?

- Pode, mas pra onde você vai?

- Eu tô indo buscar a caixa com os novos fones de ouvido aqui da loja. Esse fornecedor não faz entrega – Betinho se arrumando para sair – Você até podia ir comigo, mas se o Teixeira passa e vê a loja fechada, me descasca!

- De boa, vai lá – Caio joga a chave do carro para Beto – Vai na sombra, na maciota, cuidado com “os homi”.

Betinho apara a chave com a mão direita, bate continência pro amigo e sai da loja correndo. Nenhum dos dois era maior de idade, mas dirigiam. Alberto, como Betinho odiava ser chamado, era filho de um importante promotor. Já o pai de Caio, era um dos bicheiros mais importantes da região. Alfa Som era enorme e por incrível que pareça, estava vazia há umas duas horas. Caio reparou que o LP do Bruce Springsteen tinha finalizado sua última canção e procurava um novo para rodar como música ambiente. Ele se sentia em outro mundo quando estava lá. Era como se todos os problemas de um garoto de 17 anos sumissem.

Olhou para a entrada da loja e percebeu que o movimento na rua estava mais fraco. Viu um fone de ouvido que mais parecia um equipamento da NASA. Deu mais uma conferida na porta e apagou uma das luzes. O tempo de uma música não faria tanta diferença. A música que ele queria ouvir estava no LP cujo encarte era ilustrado por mãos femininas com o polegar apoiado nos bolsos de uma calça jeans.

Caio, pôs o disco na vitrola e selecionou a segunda faixa. A voz do furacão loiro Madonna ecoou nos seus ouvidos e fez vibrar seu mundo particular. Cada frase e batida de “Express Yourself” lhe empolgava mais. O jovem não se aguentou. Fitou mais uma vez a rua pela vitrine e obedeceu seu coração. Desconectou o fone do som e deixou a rainha do pop reinar em toda a loja, ao mesmo tempo em que se divertia inventando uma coreografia  passando por cada corredor e prateleira da Alfa Som.  

Quando a música finalizou, ele observou sua respiração ofegante e ouviu um bater de palmas que vinha da porta de entrada.

- Adorei a reboladinha e a jogada de cabelo no final.

Caio quase cai para trás, mas o susto o fez derrubar alguns discos. A voz era de um rapaz jovem. Moreno, um pouco mais baixo que Caio. Pele clara, cachos escuros e sorriso sarcástico.

- Você tava aí esse tempo todo? – disse Caio com os olhos saltando.

- Aham, tava. Esse show é de graça? Adoraria assistir mais vezes...

- Eu tô só ajudando um amigo. Ele saiu, aí tô quebrando esse galho. Mas, ele volta já já. Posso te ajudar? Os lançamentos são naquela prateleira ali à direita – Caio tentava desconversar e arrumar a bagunça.

- Tá certo.

Um absurdo silêncio se fez. Nem parece que Caio tinha incorporado a própria Madonna há poucos minutos atrás. O cliente se chamava Mateus e não conseguia disfarçar os olhares endereçados à Caio, que fingia muito mal não perceber.

Caio tinha a pele bem bronzeada, mas não gostava muito de praia. Gostava de carros, mas principalmente de motocicletas. Nem tanto pelos veículos em si, até porque não sacava nada de mecânica, mas pela sensação de liberdade que dirigir lhe proporcionava. Cresceu com piscina no quintal, mas era todo cheio de frescura com água salgada, dizia que acabava com seu amado e intocável cabelo. Fazia o estilo bad boy. No fundo a pose era só uma casca para agradar o pai bicheiro, que o preparava contra sua vontade para assumir “o negócio da família”. Talvez se fosse só o bicho ele não se sentisse tão sujo, mas tinha o pó. Nenhum bicheiro conseguiu escapar; ou entrava na onda do momento, ou morria de fome.

Caio não curtia e tentava fugir desse destino. Com seu amigos Beto, Mel e Kadu, ele sonhava com um futuro melhor. Ele não sabia o que exatamente significava “melhor”, mas queria demais. Queria tanto que às vezes saía de órbita só imaginando o que lhe aconteceria após o colegial.

- ALÔ! PLANETA TERRA CHAMANDO! – Mateus estalava os dedos bem na cara de Caio.

- Opa! Foi mal. Já escolheu?

- Já escolhi dois e tô em dúvida com esse aqui. Posso ouvir um pouco?

- Pode sim. Vai querer fones?

- Nada. Taca som em tudo!

O disco era Patrícia da cantora Patrícia Marx, lançado no ano anterior. Caio olhou para capa e pensou “Sério, que ele ouve isso?”. A fisionomia transpareceu seu pensamento e Mateus percebeu.

- Você deve estar achando que eu sou um carinha bem piegas. Mas é que eu queria muito esse disco, a voz dela me deixa de coração quentinho – os dois ficaram em silêncio – Nossa, agora isso sim foi piegas! – Os dois riram – Você pode pôr a terceira música do lado A? Adoro essa canção.

Caio conseguiu pôr o disco na vitrola. A voz doce de Patrícia realmente trouxe um aconchego inexplicável cantando “Doçura”. Mateus dublava a música como se cada nota lhe transpassasse o corpo. A vitrola parou do nada, deu pau. Ele continuou cantando sem perceber. Caio ficou encantado com sua voz não menos doce que a de Patrícia. Foi pouca coisa, uns quatro segundos, mas o suficiente para que Mateus ficasse vermelho igual morango.

- Putz, que zebra hein! Não sei se o defeito foi na vitrola ou no disco. Quer tentar outro?

- Agora não. Poxa, tava tão bom...

- E você canta bem, cara. Minha vez de aplaudir – Caio bateu palmas enquanto Mateus fez reverências como que agradecendo. Os dois riram.

- Que nada. Não é pra tanto. Eu só gosto de brincar de cantar. Essa música é fofa demais.

- Devo admitir que é mesmo.

- Só não é mais fofa do que você... – Mateus continuava vermelho como um moranguinho envergonhado, mas tinha que conseguir pelo menos o telefone do dançarino bronzeado.

- É...então...não vai levar pra casa a música fofa? Daí você treina um show no banheiro – Caio estava sem graça e fingindo analisar o vinil procurando algum defeito – Não tô vendo aqui nenhuma falha, mas você pode levar uma fita cassete. Ainda tem...

- Vou querer sim. Onde tá?

- Pego pra você – Caio vai até a prateleira das fitas cassete sentindo que seu estômago tinha virado um grande borboletário. Ele não entendia a causa do suor brotar em suas mãos. Percebeu que não escapava do olhar predador de Mateus ao retornar ao balcão.

- Cara, você já tem cadastro aqui? Eles sempre tem descontos muito bons pra quem é do clube Alfa.

- Ainda não tenho. Demora pra fazer?

- Nada, aqui é the flash. Escrevo aqui no papel, depois o Beto põe no computador. Ainda não me dou com essa máquina. Como você se chama?

- Mateus...e o seu?

- Caio – ele não queria ter dito. Era como se agora tivesse exposto e indefeso. Não sabia porque estava tão na defensiva; ou sabia, mas precisava ignorar. Terminou o cadastro e se deu conta de que os dois moravam bem próximos e até suas respectivas escolas eram vizinhas. Mateus era simpático, tinha o sorriso bem bonito. Porém, Caio não sabia como se comportar diante de alguém que fugia do padrão socialmente aceito de masculinidade, principalmente se esse alguém lhe despertasse borboletas no estômago e suor nas mãos. Alguém que ele sabia ser como ele, cuja semelhança ele tanto reprimia para não sofrer nas mãos do próprio pai.

Todo mundo tem segredos que não conta nem para si mesmo.

- Então, vou levar esses: a Debbie Gibson e o cassete da Patrícia. Espero conseguir esconder – Disse Mateus comprimindo um lábio no outro.

- Esconder porquê? Como assim?

- Esconder dos meus pais. Do meu pai principalmente. Ele diz que é “música de viado”- Mateus sofria mais repressão dentro de casa por causa do que seus pais chamavam de “jeito”. Eles nunca o entenderam; só queriam não ser motivo de piada. O custo era podar o menino em todas as suas autênticas expressões do ser.

- Ah sim.

Caio não soube o que dizer, só olhou para Mateus com cara de solidariedade, enquanto colocava os produtos na sacola.

- Você também acha que é coisa de viado ouvir essas músicas? – Mateus encarou os olhos castanhos de Caio com profundidade.

Caio mexeu no cabelo e em um segundo lembrou que nunca conseguiu assistir a uma novela inteira, pois seu pai não permitia. “Novela é coisa de maricas! Você quer ser uma mulherzinha?”, cansou de ouvir e desistiu de acompanhar qualquer uma delas. Quando muito, ele conseguia que sua mãe lhe contasse o desenrolar da trama.

- Não. Não mesmo. Eu mesmo não tenho costume de ouvir essas cantoras, mas achei legal.

- Ah, bom! Não esperava menos do melhor dançarino de Madonna que já vi até agora. Só perde pra original, óbvio. Até porque, se Madonna não for “coisa de viado”, eu não sei mais o que é - Os dois riram.

- Você é engraçado, cara.

- Ah, que bom! Espera, isso foi um elogio, né?

- Posso te ligar nesse número? – Caio não esperava dizer isso. Seu coração acelerou de forma quase explosiva. Foi uma frase que saiu quase que involuntariamente. Foi como se as borboletas saíssem do estômago e se transformassem em palavras atrapalhadas.

Mateus hesitou por uns três segundos. Ele também não esperava que Caio lhe fizesse essa pergunta e ainda de forma tão atropelada.

- Me liga qualquer hora. Quer dizer, só não à noite, que mais pais estão em casa. Agora eu preciso ir, que tô atrasado pra aula de inglês. Já é de graça, não posso faltar. Vou esperar você ligar. Até depois.

Mateus saiu da loja com o coração aquecido e não só por causa da canção de Patrícia Marx. Caio estava vermelho, sentindo-se surpreso consigo mesmo.

Às 17:25 Beto voltou com um caixa. Ele achou o amigo meio diferente. Caio disse que não podia mais ficar, que havia se esquecido de um compromisso em casa. Ele deu longas voltas de carro pensando na vida. Não podia dividir isso com ninguém. Por mais legal que fossem seus amigos, não tinha certeza de que iriam mesmo ficar ao seu lado. Além do mais, ele precisava de algo só seu e uma amizade com alguém “semelhante” lhe faria muito bem. Ele nunca antes tivera interesse em conhecer outro rapaz assim.

Teve que esperar até o dia seguinte. Lá pelas nove da manhã saiu de casa e procurou um orelhão longe de sua residência, ligou para Mateus. Os dois conversaram por dez minutos e a fila para usar o telefone público só aumentava atrás dele. Marcaram de se ver no fliperama do outro lado da cidade. A tarde foi mega divertida. Caio não sorria de verdade há muito tempo e Mateus era de fato muito engraçado. Caio comprou um walkman só para ouvir a fita cassete que Mateus gravou com suas músicas prediletas. Ambos estavam se descobrindo sem barreiras. Quando juntos o tempo parava. Foi assim no toque, no beijo, no sexo e em tudo que era novo, terno e excitante, que dois garotos como eles, no auge dos 17 anos podiam descobrir. O mês de julho terminou com saldo mais do que positivo. Caio conseguiu sair com os amigos, mas também viver um amor de verão.

No início de agosto, Mateus recebeu uma visita inesperada. Sua tia Cláudia, que foi tentar a vida nos Estados Unidos e trabalhava lá como babá dos filhos de uma família milionária. A mesma convenceu seus pais de o levar com ela para os EUA. Era ela que pagava seu curso de inglês. Mateus iria estudar em um bom colégio americano. Seus pais não queriam ter um filho como ele por perto e ao mesmo tempo queriam o melhor para ele. Uniram o útil ao agradável.

Mateus e Caio tiveram uma noite linda de despedida, mas sem juras de amor. Caio jamais achou que choraria por alguém, mas não se conteve ao chegar em casa e deitar sobre o travesseiro. Aquela foi uma noite difícil. O período letivo na terra do Tio Sam se inicia no mês de setembro. Mateus ainda teve um mês inteiro para se adaptar e aprimorar o seu inglês que era muito bom.

Um não teve mais notícia do outro. Foi assim até 1993.

Filho único, Mateus veio cuidar da mãe depois que seu pai faleceu por AVC. Não pensava em procurar Caio. Os dois já não tinham mais nada a ver. Foi um ano obscuro; o martírio de não ter se despedido, nem verdadeiramente se reconciliado com o pai antes de sua morte, era insuportável. Tentava se distrair como podia, até arrumou um emprego como professor particular de inglês e estava se virando bem.



Em uma tarde quente, Mateus passa em frente a Alfa Som e seus olhos são hipnotizados pelo cartaz que anunciava a venda de ingressos para o show de Madonna no estádio do Maracanã. Não pensou duas vezes e gastou metade do que tinha economizado. Veria sua diva, nem que fosse da última fileira. Ao adentrar na loja, lembrou-se inevitavelmente do rapaz bronzeado que dançava Madonna como se mais nada importasse. O rapaz que ele nunca esquecera. Com sorte, encontrou ingresso em lugar em frente ao palco e lembrou do cadastro de fidelidade da loja. O desconto foi uma benção.

6 de novembro de 1993.

A The Girlie Show World Tour só começou de verdade quando ele avistou, entre luzes de todas as cores, o rapaz de sorriso torto. Ele dançava muito mais livre, a pele bronzeada e os cabelos no ombro não negavam. Caio finalmente conseguira dançar “Express Yourself” sem medo de ser visto. Ele estava rodeado de amigos. Mateus tentou controlar as pernas, mas elas não obedeciam, só caminhavam na direção de Caio.

- CAIO!!! – Mateus gritou com a voz trêmula de nervosismo.

Caio virou-se confuso, olhou ao redor para ver se alguém tinha gritado seu nome ou se eram apenas ruídos do show. Deu de cara com Mateus e seu rosto transpareceu a mesma expressão de uma criança perdida que reencontra a mãe.

- Eu sabia – Mateus sentiu-se novamente com o coração aquecido, como no verão de 1989.

- MATEUS!!! – Caio puxou Mateus pela cintura e o abraçou muito forte. Os dois se olharam e não houve nada mais. O tempo parou novamente. O beijo veio ainda mais forte do que o abraço, como se um quisesse se nutrir do outro – NÃO ME DEIXA NUNCA MAIS!

As pessoas que estavam em volta começaram a aplaudir e os amigos de Caio, Beto, Mel e Kadu, olharam surpresos.

- Seus amigos estão olhando – Mateus disse meio acanhado. Caio logo fez as honras.

- Betinho, Melissa e Kadu. Esses são os meus melhores amigos. E, gente...esse é o Mateus! Foi ele que apareceu nas cartas que sua vó jogou pra mim, Mel! Ela tava certa. Agora eu acredito! Quero saber se vocês podem incluir ele no grupo...

- Brother, se você tiver feliz, eu também tô! – Disse Beto cumprimentando Mateus.

- A gente tá fechado e tu sabe disso – Kadu abraçou os dois.

- Pois eu digo: O que Madonna uniu, o homem não separa! – Melissa disse fazendo gesto de sinal da cruz e abraçando o casal.

Caio e Mateus curtiram o show como uma grande celebração. Estavam se casando sob as bençãos da rainha do pop e não tinham ideia de que realmente seria para sempre.

 

“Agradeço especialmente ao amigo Henrique Melo pelo convite para esse projeto e à maravilhosa Mylena Andrade pela ajuda na revisão.”  (O autor)

 

 

 

 

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Entrevista - LeoAna


Tô de volta com a série de entrevistas do nosso blog, galera! (PALMAS, POR FAVOR!)
Dessa vez, eu fui atrás de uma dupla incrível. Eles são iniciantes na música e em pouco tempo já ostentam um número considerável de visualizações em seus vídeos. A dupla LeoAna tem conquistado cada vez mais admiradores pelo estilo e simplicidade ímpar do seu trabalho. De Imperatriz do Maranhão (nossa amada cidade), Victor Leoti e Ananda Miranda almejam mais que os simples holofotes, e foi sobre isso que conversamos na entrevista abaixo. Confira:
Como surgiu a ideia de fazer a dupla?
Leo: Depois que Ana me chamou pra tentar um som com ela, nós passamos alguns meses enrolando e conversando até que um dia resolvemos realmente dar um “chega, de hoje não passa”. Em questão de uma semana já tínhamos o ensaio fotográfico e o primeiro vídeo.
Quais artista(s) e estilo(s) é/são referência para o trabalho de vocês?
Leo: Cada um tem suas influências. As minhas são Tiê, A Banda Mais Bonita Da Cidade, Maglore, Supercombo, Demi Lovato e Of Monsters And Men.
Ana: Maria Gadú, Nxzero, Supercombo, e algumas bandas de folk internacionais como The Lumminers e Iron & Wine.
Como vocês enxergam o cenário musical do nosso país atualmente, sobretudo no que diz respeito ao seu gênero musical?
Leo: A indústria fonográfica brasileira ta crescendo muito. Isso é ótimo. Os artistas estão planejando melhor seus lançamentos, investindo em clipes, programas de TV, shows melhores. Eu vejo um mercado mais interativo e que possibilita o ingresso de novos artistas. Nosso estilo, aqui na cidade sobretudo, é pouco visado, o que dificulta um pouco as coisas mas não transforma nosso trabalho em impossível.
Ana: Aqui na nossa cidade, realmente o mar não está pra peixe. É uma pena que algumas pessoas não saibam o valor de saber ouvir outros ritmos. Falo por mim mesmo, que não ouvia funk e agora, ouço, tudo é música (o que pode avacalhar são as letras abusivas), mas enfim, temos muitos artistas novos no mercado hoje, e fora dele também, o que falta é espaço, reconhecimento, e as pessoas abrirem seus ouvidos e estarem dispostas a ouvir novos conceitos de música.

O que lhes motiva a seguir em frente além do amor pela música?
Leo: A vontade de viver de música, que é meu sonho, é meu maior motivo.
Ana: Acredito que a música tem uma vibe diferente de tudo, e saber que ela de alguma forma toca o coração das pessoas, me motiva muito a seguir.
Qual foi a maior inspiração para este primeiro trabalho autoral?
Leo: Acho que tivemos algumas influências de alguns artistas da nova MPB. Muitos notaram uma semelhança com a Clarice (Falcão), mas não foi algo premeditado.
Quais as diferenças que vocês notaram em si mesmos desde a ideia da dupla até agora?
Leo: Eu estou menos tímido. Bem menos.
Ana: Como o Leo falou, estou também aprendendo a lidar com a timidez.
Como vocês se enxergam daqui a 2 anos ou mais?
Leo: Conseguindo algum contrato com uma gravadora e lançando nosso álbum de inéditas.
Ana: Saindo em turnê pelo Brasil, tocando junto com alguns artistas que gosto.
Ah, LeoAna já tem vídeo da música autoral, gente! Clique no link abaixo e assista “Algo Sobre Saudade”:




terça-feira, 27 de outubro de 2015

CULTURA TRASH - O QUE É?


Você já ouviu falar sobre cultura trash?

Neste halloween você vai a alguma festa fantasiado? Vai vestido de que? Será que a roupa escolhida por você não seria trash? Bom, primeiro vamos ao conceito. O que diabos vem a ser “Trash”?

Trash em inglês quer dizer “lixo”. Diante desse fato temos a impressão de que se trata de um produto ruim todo o que assim for rotulado, ainda mais hoje em que o termo está sendo usado como gíria para má qualificação.  Bom, isso vai depender do contexto em que o “trash” for utilizado. No geral, é dito que para ser Trash algo precisa ser tão ruim, tão ruim, que possa no fim das contas ser bom. Isso ocorre bastante no cinema, por exemplo. A definição de Filme Trash, em geral, trata-se de um filme tecnicamente mal feito (propositadamente ou não), mas que é considerado bom. A estética cinematográfica Trash pode ser usada em qualquer gênero de filme ou vídeo, mas é mais usada no Terror. Costuma-se considerar Trash todo filme de Terror que ao invés de causar medo ou tensão, é engraçado. Um filme trash é difícil de ser categorizado e não existe uma verdade absoluta, apenas alguns fatores que podemos considerar. O trash vai ser um filme geralmente de baixo orçamento, sem roteiros brilhantes e muito menos elencos milionários, mas com um fator em comum a todos, a presença do humor negro, que é um fator constante em um filme trash e provavelmente a maior característica de tais.
A questão do baixo custo não é exclusiva do trash, pois vamos vê-las muito no slasher e em muitos outros sub-gêneros do terror e até mesmo de outros gêneros, portanto não dá para restringir esse fator apenas cinema trash. Então o que temos no trash são filmes de terror (que geralmente tem o intuito de chocar) que conseguem transmitir horror e humor quase simultâneamente, geralmente com baixo orçamento (não é uma regra) e com alguns elementos um tanto “toscos”, mas que ajudam a criar toda a magia que o trash tem. O primeiro filme considerado trash na história foi A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS de 1959, porém, antes do conceito existir tivemos alguns outros filmes merecedores do título, como é o caso do PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL do diretor Ed Wood, que hoje é considerado Cult. Em meados da década de 80 as maiores pérolas dessa “Boca do Lixo” foram produzidas. Filmes como FOME ANIMAL, NÁUSEA TOTAL E EVIL DEAD – A MORTE DO DEMÔNIO são lembrados até hoje e com mais carinho do que repulsa. O diretor dos dois primeiros foi Peter Jackson, que muito antes de se aventurar com a impecável trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, operou as câmeras do estilo gore e deixou sua marca. Já EVIL DEAD é o clássico absoluto dos filmes insanos e “bem-mal feitos”, conduzido pelo responsável da franquia HOMEM ARANHA (com Tobey Maguire) Sam Raimi, que voltou as suas origens com ARRASTE-ME PARA O INFERNO.
Já não se pode nem mais assaltar a geladeira de madrugada
Há muitas outras “Trasheiras” que valem a pena ser vistas, anota aí: O VINGADOR TÓXICO (clássico da TROMA ENTERTAINMENT), PALHAÇOS ASSASSINOS DO ESPAÇO SIDERAL, RE-ANIMATOR, O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS, O MONSTRO DO ARMÁRIO, O ATAQUE DOS VERMES MALDITOS, entre outros...
E ainda tem a classe dos objetos assassinos, tipo: BISCOITO ASSASSINO, PNEU ASSASSINO, GELADEIRA ASSASSINA, CAMISINHA ASSASSINA...
O TRASH NO BRASIL
Em terras tupiniquins nós temos inúmeras obras que se assumem trash, ou mesmo se baseiam na sua estética/técnica (ou falta dela) para compor sua característica. Como o clássico infantil SUPER XUXA CONTRA O BAIXO ASTRAL (1988) que mistura cenários um tanto precários, música, cores alegres em contraste com o cinza e uma história simples e cativante. Veja um trecho abaixo:

A Rede Globo também já teve o Trash na sua grade de programação. Em 1991 às 19 horas, a clássica novela VAMP reunia toda a turma jovem em frente à televisão. Misturando todos os clichês folhetinescos à linguagem de videoclipe, revista em quadrinhos, rock n’ roll, defeitos pra lá de especiais e claro, vampiros! Sucesso com 62 pontos de audiência, que levou nomes como Claudia Ohana e Ney Latorraca ao auge da carreira protagonizando cenas antológicas. Na abertura você já sentia o clima da trama que eu com muito carinho gravei da reprise pelo Canal Viva em 36 discos. Confira abaixo:

A Rede Bandeirantes investiu nesse gênero quando em 1996 criou o lendário CINE TRASH. Apresentado por ninguém menos que o mestre do terror no Brasil, o cineasta e ator José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que também é responsável pela imersão do Trash na cultura do nosso país, antes mesmo do conceito existir de fato. O Cine Trash exibia as melhores películas do gênero durante as tardes de segunda a sexta. Depois de várias mudanças nos horários e dias e exibição por conta de intervenções da censura, a sessão de filmes chegou ao fim em 1998, dando lugar ao CINE SINISTRO que era apresentado pela “quase nua” Carla Tenore à meia noite de sábado.
Antes que eu me esqueça, assista aqui um trecho de um dos maiores trash contemporâneos do Brasil, OBRIGADO A MATAR dirigido e atuado por João Amorim e sua turma que ganhariam fácil o Framboesa de Ouro. A definição de bom ou ruim sobre esse trem fica por sua conta.
Algumas séries de TV também usam o trash para compor suas características e dentre muitos exemplos, os dois que eu mais gosto de citar são THE TWILIGHT ZONE (ALÉM DA IMAGINAÇÃO) e BUFFY THE VAMPIRE SLAYER (BUFFY A CAÇA VAMPIROS). As duas séries tem algumas coisas em comum, dentre elas destaco suas frases introdutórias que são características marcantes do gênero: "Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação".
"A cada geração há uma escolhida, ela sozinha enfrentará os vampiros, vampiros demônios e as forças do mal, ela é a caçadora."


A duas são impecáveis e não se utilizam do “mal feito proposital”, mas sim do bizarro, insano e criativo que substancia as melhores obras trash. BUFFY, em toda a sua primeira temporada tem seus episódios dedicados a homenagear também os fimes B. ALÉM DA IMAGINAÇÃO, como o nome já sugere, investe em tramas mirabolantes que conseguem deter a atenção de quem assiste atiçando a curiosidade.
E aí, deu pra entender o que são filmes Trash? Tem que desenhar? Espero que esse post de halloween tenha sido útil pelo menos pra você acabar com preconceitos e não ficar perdido numa rodinha de cinéfilos. Até a próxima, muito obrigado!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O AMOR ACONTECEU!


"Quando os Jovens mudarem, o mundo se transformará!"

Domingo, 26 de julho de 2015. O dia mais aguardado das férias. Bom, pelo menos para aqueles que sonham e tentam fazer deste o Mundo Ideal. Foi em São Paulo que esse ano fiz amizades pra vida inteira, revi amigos/irmãos e compartilhei momento de pura alegria com pessoas mais do que queridas. Um família unida por algo maior que tudo. Milhares de pessoas de todo canto do Brasil ligadas por um sentimento sutil e ao mesmo tempo forte, arrebatador.

A 60º CONVENÇÃO NACIONAL DOS JOVENS DA SEICHO NO IE DO BRASIL aconteceu simultaneamente em São Paulo (Ginásio do Ibirapuera) e Natal-RN (Teatro Riachuelo) e com certeza foi um divisor de águas na vida de todos que tiveram a oportunidade de participar. A comemoração do jubileu de diamante de um sonho que há seis décadas leva a palavra de Deus ao coração da humanidade. Dos simplórios cafezais aos grandes estádios, a Verdade "Homem-Filho-de-Deus" se expande cada vez mais e ilumina o Brasil de norte a sul, de leste a oeste.
Preletores: Luciano S. Lago, Régis Yoshio Shimanoe, Fernando Antonio M. Marques, Ênio Maçaki Hara, Marie Murakami e Junji Miyahura

Sob a orientação de Deus, abençoados Preletores falaram sobre saber sonhar, viver em harmonia com a natureza, fazer-se novo, saber ouvir-se, viver sem medo e a transformação do mundo por meio da juventude. Não há palavras que descrevam o sentimento de quem sentiu o coração vibrar com cada palavra dita naquelas palestras.

A cada música, a cada hino, o Espírito Santo de Deus repousava sobre todos. Saí de lá com decisões tomadas, mudanças a serem feitas para tornar minha vida melhor e em consequência colaborar para que a vida das pessoas se torne um paraíso. Trabalhar pelo Movimento de Iluminação da Humanidade é manifestar o amor em todos os atos, é agradecer a todas as pessoas coisas e fatos. Saber ouvir a voz de Deus para manifestar o seu Reino aqui e agora. Pois nós somos a fonte inesgotável do belo e do bem. Temos de abrir o canal e deixar a sabedoria Divina agir através de nós. A AJSI é força, fé e alegria. O amor é o que nos faz viver, e o sonho é o nosso combustível para realizar as obras de Deus.
"Jovens, sonhem! Tudo que de valoroso existe neste mundo partiu da mente daqueles que sonharam com bravura. Na verdade, somente os sonhadores são os que alcançam os postos vanguardeiros na cultura humana. Os sonhadores, em todas as gerações, lideraram a humanidade e construíram a cultura de hoje. Jovens, é preciso sonhar!". Esse trecho de O Livro dos Jovens demonstra o poder de sonhar verdadeiramente, como dizia o Professor Masaharu Taniguchi, que teve o sonho de fundar a Seicho No Ie depois que a conheceu através de Revelações Divinas. Na verdade, se o seu sonho é sincero e beneficiará outras pessoas sem prejudicar ninguém e nem nutrirá seu ego, ele já está realizado no Reino de Deus, pois é sonho de Deus! Acredite no Deus que habita dentro de você, acredite na força do bem e aja com determinação, pois assim seu sonho se concretizará infalivelmente. Lembre-se do que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça e o mais lhe será dado em acréscimo", "Conforme creste será". Concretizemos o Mundo Ideal com que sonharam esses grandes mestres: Cristo, Sakyamuni, Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Masaharu Taniguchi.
Caravana de MA IMPERATRIZ com o Presidente Nacional dos Jovens Régis Yoshio Shimanoe

Acredite em Deus, acredite em você! Você é Filho de Deus, sendo assim é possuidor de capacidade infinita. Não deixe que os aparentes obstáculos te vençam, pois eles existem para polir o seu espírito e te fazer mais forte. Pense positivo, use a força da sua mente e o poder da palavra e diga SIM pra Vida!


"Iluminemos o Brasil, com a força dos Jovens! Despertemos a natureza divina, de todos os Jovens do Brasil!"

sexta-feira, 3 de julho de 2015

VOCÊ CONHECE JOHN HUGHES?



"A vida humana é uma provação, e a adversidade é o lugar de honra" (Hughes)

Você sabe quem foi John Hughes? Provavelmente assim de nome não. Mas, te garanto que ao longo da sua vida, ele já te proporcionou momentos únicos em frente a televisão. Durante muito tempo ele se fez presente na Sessão da Tarde (GLOBO) e Cinema em Casa (SBT), isso claro, quando esses dois programas ainda eram relevantes. Falando em relevância, essa palavra define muito bem o que John Hughes representa pra cultura Pop. No que diz respeito à juventude oitentista, ele foi um dos poucos diretores/roteiristas a falar com tanta propriedade da vida adolescente, e talvez o único a conseguir retratar tão bem essa fase da vida. Diria que seus filmes são verdadeiros "formadores de caráter", pelo menos pra qualquer cinéfilo que se formou desde criança nas locadoras de VHS ou vendo incontáveis e prazerosas reprises na TV aberta.

Nascido aos 18 de fevereiro de 1950 na cidade de Lansing (Michigan) nos Estados Unidos, foi um menino de infância fantasiosa, sempre imerso no mundo dos quadrinhos e filmes. Nos anos 1970 começou a escrever humor para a revista National Lampoon, e trabalhou como diretor de criação em uma agência de publicidade. No início da década de 1980, começou a produzir roteiros, algumas vezes com o pseudônimo de "Edmond Dantès", uma homenagem ao personagem principal de O Conde de Monte Cristo. A partir de agora apresentarei as principais obras de John em ordem cronológica, pra te ajudar a montar uma listinha, assim quando você for assistir poderá comparar suas obras em diversos aspectos, principalmente em evolução de estrutura e linguagem. Let's go!


GATINHAS E GATÕES (1984)
Samantha Baker (Molly Ringwald), uma adolescente de 15 anos, sonha em namorar o garoto mais popular da escola que infelizmente namora outra. Para piorar, um garoto nerd começa a assediá-la. Além disso, em virtude do casamento de sua irmã mais velha, seu aniversário de 16 anos é totalmente esquecido. Gatinhas & Gatões é um exemplo de comédia que diverte sem precisar de escatologias, e que ensina sem precisar de sermões. É um filme temático, mas nem por isso segmentário, consegue ser atemporal e inovador.

CLUBE DOS CINCO (1985)
Cinco adolescentes são colocados de castigo na escola por causa de pequenas infrações. O castigo consiste em escrever uma redação contendo mil palavras sobre o que eles acham de si mesmos. Agora juntos, eles começam a se conhecer, fazer confissões e aceitar seus limites e diferenças. É uma obra-prima tipicamente dos anos 1980, bem dosada em cima de temas que jamais perderam sua relevância, independente de sua época. Mais do que um filme adolescente, é um ensaio sobre as implicações da época mais complicada e intensa da vida.



MULHER NOTA MIL (1985)
“Se você não consegue arrumar uma garota, faça uma!”. Essa é a premissa do filme. Gary Wallace e Wyatt Donnelly são dois adolescentes impopulares com as garotas. Eles resolvem criar no computador de Wyatt a mulher que eles acreditam ser perfeita. Uma tempestade dá vida a ela, que é batizada como Lisa. Lisa é sexy, bonita, determinada, fiel aos seus criadores, mas com modos que deixam os que cruzam o seu caminho desconcertados. Entretanto, problemas começam a ocorrer quando o implicante irmão mais velho de Wyatt, Chet, sente que algo está estranho. Situações malucas e algumas reflexões acerca de auto-confiança e amadurecimento te esperam.

A GAROTA DE ROSA SHOCKING (1985)
A estudante Andie Walsh (Molly Ringwald) é uma garota pobre que tem uma queda por um garoto rico, um dos preppys em sua escola, Blane McDonough. Quando Andie e Blane tentar ficar juntos, eles encontram a resistência de seus respectivos círculos sociais. Andie vive "do lado oposto dos trilhos" com seu pai subempregado. O melhor amigo de Andie, Duckie (Jon Cryer), é apaixonado por ela, e devota sua vida à Andie. Na escola, os dois são perseguidos pelos amigos de Blane, os arrogantes chamados "riquinhos", Benny (Kate Vernon) e Steff (James Spader). Andie trabalha na TRAX, uma loja de música New Wave, gerida por sua velha amiga e mentora Iona (Annie Potts) que a aconselha a ir ao seu baile de formatura, apesar de não ter um par. Esse filme, John não dirigiu, apenas roteirizou e imprimiu um tom um tanto feminista, apesar do romance "menininha" que conquista sem grande esforço quem o assiste.

CURTINDO A VIDA ADOIDADO (1986)
No último semestre do curso do colégio, Ferris Bueller (Matthew Broderick) sente um incontrolável desejo de matar a aula e planeja um grande programa na cidade com sua namorada (Mia Sara), seu melhor amigo (Alan Ruck) e uma Ferrari. Só que para poder realizar seu desejo ele precisa escapar do diretor do colégio (Jeffrey Jones) e de sua irmã (Jennifer Grey). A obra prima máster de John, onde ele imortalizou seu estilo e sua alma. Se você nunca assistiu, não pode morrer sem o fazer!

ANTES SÓ QUE MAL ACOMPANHADO (1987)
Neal Page, um carrancudo publicitário, está retornando de Nova Iorque para Chicago, a fim passar o feriado de Ação de Graças com sua família. No entanto, em seu caminho de volta para casa ele esbarra com Del Griffith, um vendedor de anéis de cortina, que transformará a viagem de Neal em um verdadeiro inferno. Bem recebido pelo público e crítica, o filme revitalizou as carreiras de Martin e Candy, à época, ambos em baixa. A trilha sonora do filme, assim que foi lançada nas lojas, esgotou-se em poucas semanas. Hilário! 

ELA VAI TER UM BEBÊ (1988)
Jake Briggs (Kevin Bacon) e Kristy (Elizabeth McGovern) se conhecem desde a infância. Hoje, são casados, e a vida de casados que planejavam e com a qual sonhava se tornou uma rotina de problemas. Contudo, uma notícia promete transformar o seu dia-a-dia, o nascimento de um bebê. John Hughes parte pra um tema mais adulto, mas é só de fachada, no fundo o filme é sobre, como ele mesmo nos ensinou, nunca deixarmos de ser meros adolescentes nessa vida.

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO (1989)
Tio Buck (John Candy) é um homem cheio de defeitos, mas assim como em todos os filmes de John Hughes, ele tem qualidades fundamentais no universo "hugheniano", Buck tem princípios, não tolera gente preconceituosa e respeita as crianças. Seu irmão, Bob (Garrett M. Brown), sabe dos defeitos de Buck, vagabundo, descompromissado e enrolado, mas para desespero da esposa de Bob, Cindy, eles terão que chamar Buck para tomar conta das seus filhos (duas crianças e uma adolescente), porque terão que viajar pra Indianópolis por causa do estado de saúde do pai de Cindy. Uncle Buck faz parte do acordo de Hugues com a Universal para a produção de 3 filmes. É a trilogia da vida adulta, Antes só do que Mal Acompanhado, e Ela vai ter um Bebê completam a série.

A MALANDRINHA (1991)
Após uma noite de farra, Bill Dancer (James Belushi) encontra na porta de sua casa um bebê abandonado. Ele faz o que pode para criá-la e, 9 anos depois, Curly Sue (Alisan Porter) o ajuda em seus pequenos golpes. Os dois vivem mudando de cidade e, ao chegarem em Chicago, tentam aplicar um golpe em Grey Ellison (Kelly Lynch), uma conhecida executiva de uma empresa de advocacia. Eles fazem com que Grey pense que atropelou Bill, visando ganhar um jantar, mas ela acaba se envolvendo com ambos e muda suas vidas. Bem leve, pra descansar a mente e se divertir!

A carreira de John não pára por aí, a lista de trabalhos é um tanto extensa pra se falar de cada filme, porém não posso deixar de comentar que ele é o responsável por roteiro/produção de mais filmes inesquecíveis como: FÉRIAS FRUSTRADAS (TRILOGIA), ESQUECERAM DE MIM (1, 2 E 3), BEETHOVEN (1, 2 e 3), MILAGRE NA RUA 34, 101 DÁLMATAS, CONSTRUINDO UMA CARREIRA, ALGUÉM MUITO ESPECIAL, entre outros.


Já assistiu o filme "A Mentira" (Easy A), com a Emma Stone? No filme, a personagem de Emma, Olive, em uma hora fala uma frase que eu concordo totalmente: "Apenas por uma vez, eu queria que minha vida fosse como um filme dos anos 80. Mas não, John Hughes não dirigiu a minha vida". Esse sentimento é algo totalmente compreensível se você assistir aos filmes de Hughes e se perceber ali, em algum personagem, situação, música, roupa, gosto particular, enfim... Viva John Hughes, o herói de uma geração eterna chamada juventude!